To The Waters

A compaixão de Jesus

«E, vendo-a o Senhor, moveu-se de íntima compaixão por ela.» — Lucas 7:13

Uma coisa é dizer que Deus o ama. Outra bem diferente é ver o que Jesus realmente fazia quando encontrava alguém que estava sofrendo. Os Evangelhos não apenas nos dizem que Ele era compassivo — eles nos mostram, repetidas vezes, em momentos comuns com pessoas reais: uma mulher empurrada para a rua para ser envergonhada, outra mulher que fora invisível por doze anos, uma mãe enterrando o seu único filho, um filho fugitivo que desperdiçou tudo. Se você quer saber como Jesus realmente é — não o que as pessoas dizem sobre Ele, mas o que Ele faz quando encontra alguém no seu ponto mais baixo — estas são as histórias com as quais vale a pena parar. Observe-O de perto. Este é o Seu coração.

Ele não pegou nenhuma pedra

Arrastaram-na até os átrios do templo, ainda sem fôlego pela vergonha de ter sido flagrada, e a jogaram no chão diante de todos. Os líderes religiosos, na verdade, não estavam fazendo uma pergunta a Jesus — estavam usando-a como armadilha, com pedras nas mãos, prontos para matá-la conforme a Lei (João 8:1-11). Jesus não discutiu a Lei com eles. Abaixou-se e escreveu no chão, e quando insistiram, levantou-se e disse uma única frase que esvaziou a multidão: «Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra nela.» Um a um, os acusadores foram embora, começando pelos mais velhos, até que não restou ninguém além de Jesus e a mulher. Ele não fingiu que o que ela havia feito não importava — «vai-te, e não peques mais», disse-lhe. Mas antes, olhou para ela e disse: «Nem eu te condeno.» Ele nunca desculpou o pecado dela. Apenas se recusou a deixar que aquele pecado fosse a última palavra sobre a vida dela.

Ele parou por causa da mulher que ninguém mais via

Por doze anos ela havia sangrado, gastara tudo o que tinha com médicos, e só piorava. Naquela cultura, sua condição a tornava cerimonialmente impura — intocável, empurrada para as margens de qualquer multidão. Por isso ela se aproximou de Jesus por trás, no meio da multidão, e tocou apenas a borda do Seu manto, esperando passar despercebida e simplesmente ser curada (Marcos 5:25-34). Funcionou — ela sentiu isso no corpo imediatamente. Mas Jesus parou. «Quem tocou nas minhas vestes?», perguntou, para confusão dos discípulos — todos O tocavam naquela multidão. Ele continuou procurando até que ela se aproximou tremendo e Lhe contou toda a verdade. Ele não a repreendeu por tê-Lo tocado, e não a deixou como um milagre anônimo em meio à multidão. Chamou-a de «filha» — a única vez em que usa essa palavra para alguém nos Evangelhos — e disse: «A tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica curada deste teu mal.» Ele queria que ela fosse vista, chamada pelo nome e enviada em paz, não apenas curada e esquecida.

Ele parou um funeral pela dor de uma mãe

Ninguém pediu a Jesus que fosse a Naim naquele dia. Ele simplesmente chegou ao portão da cidade quando um cortejo fúnebre saía dela — uma viúva, caminhando atrás do corpo do seu único filho. Ela já havia enterrado o marido; agora enterrava a última pessoa que lhe pertencia, e naquele mundo, uma viúva sem filho não tinha mais ninguém para sustentá-la. Lucas nos conta claramente o que aconteceu: «e, vendo-a o Senhor, moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores» (Lucas 7:11-15). Ninguém O havia chamado. Ninguém ainda tinha fé suficiente para pedir um milagre — o filho já estava morto. Jesus agiu unicamente pelo que sentiu ao ver o rosto dela. Tocou no esquife, os que o carregavam pararam, e Ele disse: «Jovem, a ti te digo: levanta-te.» O rapaz sentou-se e começou a falar, e Jesus o devolveu à sua mãe. Ele não precisou ser suplicado. A dor dela foi suficiente.

É assim que Ele descreve o coração de Deus

Quando os religiosos murmuravam porque Jesus recebia os pecadores e até comia com eles, Ele respondeu com uma história, não com uma defesa (Lucas 15:3-32). Um pastor com cem ovelhas perde uma, e deixa as noventa e nove para buscá-la até encontrá-la — depois a carrega sobre os ombros, cheio de alegria. Um pai tem um filho que exige sua herança antes da hora, desperdiça tudo, e volta para casa apenas para pedir o trabalho de um servo. Mas «quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou» — antes mesmo que o filho pudesse terminar o pedido de desculpas que havia ensaiado. Jesus contou essas histórias para dizer com clareza: é assim que Deus é. Não esperando à distância que você conquiste o caminho de volta, mas vigiando o horizonte, e correndo. A compaixão que você acabou de ver Ele demonstrar por uma mulher envergonhada, por uma mulher que sangrava, por uma mãe enlutada — essa não é a exceção. Esse é o Seu coração, em exibição comum, exatamente para as pessoas que sentiam já ter esgotado as suas chances.

Examine as Escrituras

John 8:1-11; Mark 5:25-34; Luke 7:11-15; 15:3-32.

Reflita

Releia essas quatro cenas e note de quem elas tratam: uma mulher sem nenhuma defesa, uma mulher que ninguém mais notava, uma mãe a quem ninguém podia ajudar, um filho que arruinou tudo. Jesus não se aproximou dos que tinham tudo resolvido — Ele se aproximou dos que se sentiam inalcançáveis. Se essa pessoa é você esta noite, de qualquer forma que seja, isto não é uma história sobre outra pessoa. É Ele, olhando para o seu rosto como olhou para o dela.

Seja o que for que você carrega, Ele também vê você

Traga a Ele o que você tem carregado — Ele não está esperando você se arrumar primeiro.