Os milagres de Jesus
«Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.» — João 20:31
É fácil ouvir a palavra «milagre» e imaginar algo como um truque de mágica — um lampejo de poder para fazer uma multidão se espantar. Mas João, que viu Jesus fazer essas coisas de perto, nunca os chama assim. Ele os chama de sinais. Um sinal não apenas exibe poder; ele aponta para algum lugar. Ele diz: olhe além do que eu fiz, e veja quem eu sou. Cada milagre que Jesus realizou foi uma janela — para a Sua autoridade, a Sua compaixão, a Sua dor diante do que a morte tem feito às pessoas que Ele ama, e a Sua atenção às necessidades mais simples e cotidianas de pessoas comuns. Se você quer conhecer Jesus, não apenas saber sobre Ele, os Seus milagres são um dos lugares mais claros para começar a olhar.
Ele ordena à tempestade — e acalma o medo
Certa tarde no mar da Galileia, uma violenta tempestade se levantou enquanto Jesus dormia na popa do barco. Seus discípulos — vários deles pescadores experientes — estavam apavorados, certos de que iriam morrer. Acordaram-No com algo bem próximo de uma acusação: «Mestre, não te importa que pereçamos?» (Marcos 4:38). Jesus se levantou, disse três palavras ao vento e ao mar — «Cala-te, emudece» — e o mar ficou completamente calmo. Depois lhes fez uma pergunta que importava mais do que o próprio milagre: «Por que sois tão tímidos? Como não tendes fé?». Os discípulos ficaram mais abalados pela calmaria do que pela tempestade: «Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?» (Marcos 4:41). Esse é o verdadeiro ponto da história. Jesus não estava exibindo controle sobre o clima. Estava mostrando que a mesma voz que ordenou a criação no princípio ainda fala — e que, quando o Seu povo tem medo, Ele não está distante nem indiferente. Ele está no barco.
Ele restaura o que está quebrado — e valoriza a misericórdia acima das regras
Um homem era cego de nascença. Uma mulher estava curvada havia dezoito anos, incapaz de se endireitar, oprimida pelo que Lucas chama de «espírito de enfermidade». Ambos eram vistos todos os dias por pessoas que já haviam parado de realmente enxergá-los — até que Jesus parou. Cuspiu no chão, fez lama e a colocou sobre os olhos do cego; o homem se lavou e, pela primeira vez na vida, enxergou (João 9:6-7). Ele viu a mulher curvada em meio à multidão na sinagoga, chamou-a e disse: «Mulher, estás livre da tua enfermidade». Ela se endireitou na mesma hora e glorificava a Deus (Lucas 13:12-13). As duas curas aconteceram no sábado, e nas duas vezes os líderes religiosos ficaram furiosos — não porque um milagre havia acontecido, mas porque havia acontecido no dia errado. A resposta de Jesus foi direta: essa mulher, «filha de Abraão», não deveria ser libertada da sua prisão justamente no sábado (Lucas 13:16)? Os Seus milagres de cura nunca foram sobre provar algo aos Seus críticos. Eram sobre enxergar uma pessoa que mais ninguém realmente via, e escolher a misericórdia sempre que misericórdia e cumprimento de regras pareciam competir.
Ele fala, e até a morte escuta
De todos os milagres, um se destaca acima dos demais. Lázaro, amigo de Jesus, estava morto havia quatro dias — tempo suficiente para que sua irmã Marta advertisse que já haveria cheiro (João 11:39) — quando Jesus chegou ao túmulo. Ele não veio com um plano engenhoso. Chorou (João 11:35), pesaroso ao lado de pessoas que amava, mesmo sabendo o que estava prestes a fazer. Então disse as palavras que explicam todos os outros milagres deste estudo: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá» (João 11:25). Chamou em direção ao túmulo: «Lázaro, sai para fora» — e o homem morto saiu andando, ainda envolto nas faixas do seu sepultamento (João 11:43-44). Isso não foi um truque de reanimação. Foi um prenúncio. Jesus estava mostrando, no corpo de outra pessoa, o que Ele mesmo faria em breve no Seu próprio — sair andando de um túmulo que a morte não conseguiu reter. Cada cura apontava para isto, e isto aponta para o que Ele oferece a você: não apenas uma vida melhor, mas uma vida que nem a própria morte pode terminar.
Ele percebe o que você realmente precisa hoje
Nem todo milagre responde a uma crise de tempestade, doença ou morte. Alguns respondem a algo tão simples quanto um estômago vazio. Uma multidão de milhares havia seguido Jesus até uma encosta afastada para ouvi-Lo ensinar, e ao entardecer estavam com fome, sem nada por perto além do pequeno lanche de um menino — cinco pães de cevada e dois peixes (João 6:9). Jesus não os mandou embora para se virarem sozinhos. Pegou o pouco que havia, deu graças, e continuou distribuindo pão e peixe até que todos ficassem satisfeitos, com doze cestos sobrando (João 6:12-13). É um detalhe pequeno que vale a pena guardar: o Deus que acalma mares e ressuscita mortos também se importa se uma multidão de gente comum já jantou. Jesus nunca tratou as pessoas como almas a salvar ignorando os corpos em que essas almas viviam. Ele se importava com a pessoa inteira — estômagos famintos, pés cansados, costas doloridas, corações que sofrem — porque é exatamente quem Ele é.
Examine as Escrituras
Mark 4:35-41; John 9; Luke 13:10-13, 16; John 11:25, 35, 38-44; 6:1-13; 20:30-31.
Reflita
Cada milagre nos Evangelhos é, na verdade, a mesma pergunta, feita em um cenário diferente: quem é este? Um barco cheio de pescadores assustados a fez. Uma multidão na sinagoga a fez. Duas irmãs enlutadas diante de um túmulo a fizeram. E a resposta nunca muda — Ele é Aquele que tem autoridade sobre a criação, misericórdia para os esquecidos, poder sobre a própria morte, e atenção para a sua necessidade mais simples e cotidiana. Em que tempestade você está agora? O que em você parece quebrado, ou esquecido, ou além de qualquer conserto? Traga isso a esse mesmo Jesus. Ele não mudou.
O mesmo poder, o mesmo cuidado