To The Waters

Onde está Deus no meu sofrimento?

«Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?» — Salmo 22:1

Talvez esta pergunta não seja teórica para você esta noite. Talvez tenha um nome, um diagnóstico, uma data, um rosto que você sente falta. Se você está perguntando onde Deus está na sua dor, ouça isto primeiro: você não é infiel por perguntar, e não O pegou de surpresa. O próprio Jesus clamou as palavras do Salmo 22 na cruz — «Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?» — e os Salmos estão cheios exatamente desse tipo de lamento cru e sem resolução (Salmo 13; Salmo 88). Deus não está de braços cruzados, ofendido com o seu sofrimento. Ele está perto dos que têm o coração quebrantado. Vamos caminhar por isto com honestidade juntos — não em busca de uma resposta arrumada, mas de uma verdadeira.

Este não é o mundo que Deus fez

O sofrimento que você carrega nunca foi o desenho original de Deus. Ele fez um mundo bom (Gênesis 1:31), e foi o pecado humano que o quebrou — que soltou a morte, a doença e a crueldade naquilo que era para ser íntegro (Gênesis 3). Paulo escreve que toda a criação agora «geme e está juntamente com dores de parto» (Romanos 8:20-22), esperando ser libertada. Essa única imagem carrega muito: esta dor presente é real, mas não é o fim da história, nem é o que o amor pretendia. Deus não construiu um mundo pensando em alas de câncer e funerais. Ele deu liberdade real a pessoas reais, e amor sem liberdade não é amor — mas essa liberdade foi usada para ferir o mundo, e todos nós vivemos agora dentro dessa ferida. O seu sofrimento é evidência de que algo está profundamente errado, não prova de que Deus está ausente ou é indiferente. Até a própria criação anseia pelo mesmo reparo que você anseia.

Deus não permaneceu distante disso

É aqui que a resposta cristã deixa de ser um argumento e se torna uma pessoa. Deus não observou o sofrimento humano de uma distância segura — Ele entrou nele. Isaías descreveu o Cristo vindouro como «homem de dores, experimentado nos trabalhos» (Isaías 53:3). Jesus conheceu a fome, o cansaço, a traição, a acusação falsa, a tortura física e a morte. Diante do túmulo de um amigo, cercado pela dor de outros, o versículo mais curto da Escritura diz tudo: «Jesus chorou» (João 11:35) — não encenando tristeza, mas sentindo-a de verdade. E porque Ele mesmo atravessou o sofrimento real, Hebreus diz que Ele pode «compadecer-se das nossas fraquezas» (Hebreus 4:15) — não à distância, mas por experiência. Seja qual for o quarto onde a sua dor mora, Ele já esteve de pé num parecido. Você não está sofrendo sozinho enquanto Deus observa de algum lugar seguro. Ele entrou até o fim.

Deus pode trazer bem disso — sem chamar a dor de boa

Aqui é preciso ter cuidado, porque essa verdade é mal usada até virar clichê, e clichês ferem. Romanos 8:28 não diz que todas as coisas são boas — diz: «sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus». A sua perda não é secretamente boa. Deus não é o autor do seu sofrimento, celebrando-o disfarçado. Mas Ele é hábil em tecer bem verdadeiro a partir de um mal verdadeiro, sem nunca precisar chamar o mal de bom. Pense em José, vendido como escravo pelos seus próprios irmãos, preso injustamente, anos roubados de sua vida — e anos depois pôde dizer àqueles mesmos irmãos: «vós intentastes o mal contra mim, porém Deus o converteu em bem» (Gênesis 50:20). Note bem: o mal deles continuou sendo mal. Foi genuinamente errado. E ainda assim Deus teceu bem através disso, um bem que José jamais poderia ter fabricado sozinho. Essa é a promessa também oferecida a você — não que esta dor seja uma bênção disfarçada, mas que Deus continua capaz de agir, em silêncio e com fidelidade, mesmo aqui.

O sofrimento não terá a última palavra

A esperança cristã nunca foi que esta vida estivesse livre de dor. É que a dor não é para sempre. Apocalipse nos dá uma imagem do que está por vir — não um consolo vago, mas uma pessoa prometida e um lugar prometido: «Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas» (Apocalipse 21:4). Note quem faz a limpeza — não o tempo, não a distração, não o esquecimento. O próprio Deus, com ternura, lágrima por lágrima. Isso não é um clichê pensado para apressá-lo além do seu luto de hoje. É uma esperança real de uma restauração vindoura, firme o bastante para você lamentar com honestidade agora mesmo enquanto ainda confia que não é o fim. As suas lágrimas importam tanto a Deus que Ele prometeu, pessoalmente, enxugar cada uma delas.

Examine as Escrituras

Ps. 13; 22:1; 88; Gen. 3; 50:20; Isa. 53:3; John 11:35; Rom. 8:20-22, 28; Heb. 4:15; Rev. 21:4.

Reflita

Se você está no meio de uma dor real agora mesmo, não precisa fingir uma paz que não sente, nem precisa de uma resposta arrumada para continuar crendo. Está tudo bem dizer, com honestidade, «Deus meu, Deus meu, por quê?» — e ainda assim dizer «meu Deus». Traga a Ele exatamente o que você carrega esta noite, com as suas próprias palavras, sem poli-las antes. Você não está sozinho nisso, e não precisa continuar sozinho nisso.

Você não precisa carregar isso sozinho

Seja o que for que você esteja atravessando, uma pessoa real ficaria feliz em orar com você e apenas ouvir.